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PIB do Brasil desacelera e registra crescimento de 0,1% no terceiro trimestre


Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2023, conforme dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), superando as expectativas do mercado, que previa uma queda de 0,3%. Este é o terceiro resultado positivo consecutivo, seguindo a desaceleração após um crescimento de 1% no segundo trimestre. A atividade econômica apresentou desempenho acima do esperado na primeira metade de 2023, impulsionada pela agropecuária no primeiro trimestre e por serviços e indústria no segundo. No entanto, analistas alertam que o aumento da renda média e da massa salarial, juntamente com a geração de empregos formais, foram impactados pelos juros em patamar elevado.


Apesar do terceiro trimestre registrar sinais positivos no mercado de trabalho, o ciclo de cortes da taxa básica (Selic) iniciado em agosto pelo Banco Central pode demorar a refletir na atividade econômica. A projeção para o crescimento do PIB em 2023 é de 2,84%, enquanto para 2024 é de 1,5%, segundo o boletim Focus divulgado antes dos dados do terceiro trimestre. Em termos anuais, o PIB brasileiro apresenta uma alta acumulada de 3,1% nos últimos quatro trimestres e um ganho de 3,2% nos nove meses de 2023 em comparação ao mesmo período do ano anterior. A agropecuária teve um recuo de 3,3% no terceiro trimestre, mas mantém uma alta de 8,8% em comparação com o mesmo período de 2022. Os serviços, setor mais importante da economia, subiram 0,6% no trimestre e 1,8% em relação ao mesmo período de 2022. O PIB totalizou R$ 2,741 trilhões, sendo R$ 2,387 trilhões de Valor Adicionado e R$ 353,8 bilhões de Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.


O crescimento acumulado do PIB nos últimos quatro trimestres foi impulsionado pela Agropecuária (14,4%), enquanto a Indústria cresceu 2,0% e os Serviços avançaram 2,8%. A Despesa de Consumo das Famílias teve um aumento de 3,7%, a Despesa de Consumo do Governo cresceu 1,0%, e a Formação Bruta de Capital Fixo recuou 1,1%. No setor externo, as Exportações subiram 10,3%, enquanto as Importações variaram -0,1%. A revisão das séries trimestrais considerou os novos pesos das contas nacionais anuais de 2021, incorporando atualizações nas séries de dados e aperfeiçoamentos metodológicos nos resultados trimestrais de 2022 e nos dois primeiros trimestres de 2023.


“Com essa revisão, o resultado anual de 2022 variou +0,1%, explicado principalmente pela mudança de pesos do Sistema de Contas Nacionais. Já as revisões do primeiro e segundo trimestres de 2023 foram mais relacionadas à agropecuária, porque agora incorporamos as estimativas de novembro do LSPA, com o ano já terminando”, explicou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. “Olhando por dentro do setor de serviços, os maiores destaques são as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,3%), especialmente na parte ligada aos seguros, e as imobiliárias (1,3%), com o aumento no número dos domicílios.”


Seis das sete atividades analisadas no setor de serviços apresentaram resultados positivos, destacando-se as maiores variações percentuais nas atividades mencionadas por Palis seguidas pelo segmento de Informação e Comunicação (1,0%). Outras variações positivas foram observadas em outras atividades de Serviços (0,5%), Administração, Defesa, Saúde e Educação Públicas e Seguridade Social (0,4%) e Comércio (0,3%). Por outro lado, o setor de Transporte, Armazenagem e Correio registrou uma queda de 0,9%, interrompendo uma sequência de oito trimestres de crescimento. Essa redução está relacionada ao transporte de passageiros. O setor de serviços como um todo representa aproximadamente 67% da economia. No segmento industrial, a única atividade que apresentou crescimento foi o setor de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (3,6%), impulsionado pelo aumento no consumo de energia.

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