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Nana Caymmi morre, aos 84 anos, no Rio de Janeiro

  • Foto do escritor: Neriel Lopez
    Neriel Lopez
  • 2 de mai.
  • 3 min de leitura


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Morreu, aos 84 anos, a cantora Nana Caymmi. Ela estava internada no Rio de Janeiro desde agosto de 2024 para tratar de uma arritmia cardíaca.

O dom para música veio de sangue. Dinahir Tostes Caymmi nasceu e foi criada cercada por melodias. A mãe era a cantora Stella Maris. O pai, o cantor e compositor Dorival Caymmi, um dos mais importantes da música brasileira. No banco da escola, sabe o que Nana fazia? Cantava.

A primeira canção que Nana gravou foi um dueto com o pai para um disco dele. Dorival tinha escrito "Acalanto" quando ela ainda era um bebê. Uma canção de ninar.

Antes de se tornar cantora profissional, Nana Caymmi foi mãe. Se casou aos 18 anos com um médico venezuelano e foi morar na Venezuela. Não se adaptou e voltou sozinha para o Rio de Janeiro com duas filhas e o caçula já na barriga. E, assim que ele nasceu, encarou logo um desafio: o primeiro Festival Internacional da Canção, em 1966, com "Saveiros", do irmão Dori. Foi vaiada, mas venceu.

“Eu estava mais preocupada em não desmaiar ali: ‘Meu Deus do céu, eu tenho que ser dura’, do que preocupada se eu estava sendo vaiada, essas coisas. Agora, eu achei chiquérrimo depois quando eu vi o tape. Mas dói. De repente, dói”, disse Nana Caymmi.

Nana Caymmi morre, aos 84 anos, no Rio de Janeiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Nana Caymmi morre, aos 84 anos, no Rio de Janeiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Um ano depois, Nana foi morar com Gilberto Gil. Eles ficaram juntos até 1969, quando Gil foi viver na Inglaterra, exilado pelo regime militar.

Nana Caymmi nunca acompanhou modismos. Sempre apostou na beleza e na emoção. E cantou o que há de melhor. Obras de grandes compositores: Aldir Blanc, Braguinha, Tom e Vinícius, Milton Nascimento e Roberto Carlos. No repertório dos Caymmi, ela sobrava com o seu timbre único. E a dramaticidade nas interpretações das canções de amor.

Em 1991, um encontro que ficou para história. No Rio Show Festival, Nana, o irmão Danilo, o pai Dorival Caymmi e Tom Jobim se apresentaram juntos no palco pela primeira vez. Em 2004, ela e os irmãos cariocas receberam o título de cidadãos baianos.

“É uma honraria, e eu fiquei o tempo todo pensando no meu pai e na minha mãe e não tem jeito, não tem condição de falar nada”, conta a cantora.

E retribuíram a homenagem cantando uma música do pai.

A voz de Nana Caymmi fez parte da trilha sonora de muitas novelas e minisséries da Globo. E ela mesma fez participações especiais cantando. O último álbum foi lançado em 2020, durante a pandemia, só com canções escritas por Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Mas para quem gosta de boa música, essa voz não tem prazo de validade. Nana Caymmi vai ser eterna.


Velório de Nana Caymmi será nesta sexta-feira, no Theatro Municipal do Rio

O corpo da cantora Nana Caymmi será velado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 2, a partir das 8h30. O enterro ocorrerá às 14h, no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo. Uma das principais cantoras do Brasil, Nana morreu na noite desta quinta-feira (1), aos 84 anos, depois de ficar nove meses internada na Casa de Saúde São José, no Rio, para tratar uma arritmia cardíaca. De acordo com nota divulgada pelo hospital, a causa da morte de Nana foi a disfunção de múltiplos órgãos. Ao Estadão, o irmão de Nana, o músico e compositor Danilo Caymmi, afirmou que, além da implantação de um marcapasso para corrigir a arritmia cardíaca, Nana apresentava desconforto respiratório e passava por hemodiálise diariamente. Nana também sofria de um quadro de osteomielite, uma infecção nos ossos, que lhe causava muitas dores. Segundo ele, Nana esteve lúcida por todo o tempo, mas, no dia 30 de abril, entrou em choque séptico

 
 
 

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