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Tensão na França aumenta após recusa de Macron em se reunir com sindicatos

Desde o meio de janeiro, a França enfrenta uma onda de manifestações contra a reforma da previdência prevista pelo presidente Emmanuel Macron. Neste sábado, 11, cerca de 300 mil pessoas foram às ruas mais uma vez para demonstrar o seu descontentamento, que aumentou ainda mais na sexta-feira após o líder francês se recusar a se reunir com os sindicatos. “Quando milhões de pessoas estão nas ruas, quando há greves e tudo o que recebemos do outro lado é o silêncio, as pessoas perguntam: O que mais temos que fazer para sermos ouvidos?”, afirmou Philippe Martinez, líder do sindicato CGT, antes de pedir um referendo sobre a reforma previdenciária. Apesar das revoltas populares com o projeto, diante da queda do número de adesão das manifestações que aconteceram pelo sétimo dia seguindo, o senado francês aprovou, na noite deste sábado, 11, por 195 votos a favor e 112 contra, a polêmica reforma previdenciária – esse é o primeiro passo para adoção final. “Um passo importante foi dado esta noite com uma ampla votação do texto da reforma da previdência no Senado”, disse Elisabeth Borne, primeira-ministra da França. “Apesar das tentativas de obstrução por parte de alguns grupos, o debate democrático manteve-se”, acrescentou. Ela está confiante de que a maioria no Parlamento vão votar a favor do texto, que segue sua jornada legislativa na próxima semana, com votação marcada para quinta-feira, 16, na Assembleia Nacional (Câmara baixa).


A mobilização na França entrou em uma nova fase na terça-feira, 7, com o maior protesto até o momento, 1,8 milhão de manifestantes, de acordo com as autoridades, e 3,5 milhões, segundo o sindicato CGT, e com o início de greves prorrogáveis. As manifestações têm como objetivo forçar o governo a retirar o projeto de lei que pretende adiar a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos a partir de 2030 e de antecipar para 2027 a exigência de contribuição por 43 anos (e não 42, como atualmente) para receber a pensão integral. Depois de cinco grandes manifestações pacíficas em janeiro e fevereiro, os sindicatos decidiram intensificar sua luta diante da recusa do governo Macron e da primeira-ministra, Élisabeth Borne, de recuar da medida. Nesta nova fase, além de saírem as ruas, importantes portos de Le Havre, Rouen e Marselha foram bloqueados temporariamente e trabalhadores em greve do setor elétrico continuam reduzindo a produção de eletricidade. Também houve cancelamento de viagens de trens e pertubações nos transportes públicos. Para próxima semana, uma nova manifestação está marcada, e ela provavelmente ocorrerá na quarta-feira, 15.


Mesmo diante do descontentamento – segundo as pesquisas, dois terços dos franceses são contra essa mudança -o governo optou por um controverso procedimento parlamentar — um projeto que altera a lei de financiamento da Seguridade Social — que limita o tempo de análise e facilita a aplicação do plano. As duas câmaras do Parlamento têm agora até 26 de março para adotar o mesmo texto. Caso contrário, o governo pode implementar a medida por meio de uma portaria a partir desta data, algo que nunca aconteceu. O Senado (Câmara Alta), controlado pela oposição de direita favorável à reforma, tem até o domingo, 12, para votar a medida. Já na Assembleia Nacional (Câmara Baixa), o prazo expirou sem tenha chegado a fazê-lo. Na próxima semana, representantes de ambas as Câmaras devem se reunir para chegar a um texto comum, sobre o qual deputados e senadores devem se pronunciar novamente ou pelo menos tentar, possivelmente em 16 de março.


*Com informações da AFP

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