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Sexta-feira inconclusiva no México expõe bastidores e esquenta reta final da F1 2022

Uma vez mais, a Fórmula 1 esteve mais quente fora do que dentro das pistas. A publicação da sanção aplicada à Red Bull por conta do furo do teto orçamentário e a vitória da Alpine contra a Haas tomaram as manchetes, enquanto as ações no Autódromo Hermanos Rodríguez, no México, ficaram em segundo plano de novo


Pela segunda semana seguida, a Fórmula 1 fecha uma sexta-feira de maneira inconclusiva do ponto de vista técnico. Uma vez mais, os testes de pneus conduzidos e orientados pela Pirelli provocaram uma mudança no programa de trabalho dos times, que acabaram tendo apenas o primeiro treino livre como base de preparação para o fim de semana do GP da Cidade do México, o antepenúltimo da temporada 2022. E, diante deste cenário de dados limitados, é possível colocar as três principais equipes em desempenhos muito próximos. Mas há detalhes importantes.


O asfalto pouco emborrachado do Hermanos Rodríguez colocou a performance geral em perspectiva. Isso é corroborado pela particularidade da capital mexicana. O fato de estar a mais de 2 mil metros do nível do mar torna o acerto dos carros mais difícil e o desempenho do motor muito sensível, por isso todo mundo se concentrou no ajuste do downforce e na preocupação com o resfriamento da unidade de energia e dos freios. É tudo muito diferente por conta do ar rarefeito. Então, é preciso percorrer o máximo possível de voltas. E foi a Ferrari que apareceu na ponta da sessão que abriu as atividades desta sexta-feira (28), com uma enorme quilometragem.


Carlos Sainz liderou a dobradinha da equipe italiana no TL1, com o tempo de 1min20s707 - somente 0s046 melhor que Charles Leclerc. Ambos testaram os pneus macios em busca de performance e, mais tarde, o espanhol andou também com os compostos duros, já vislumbrando a corrida de domingo, enquanto o monegasco seguiu com os vermelhos. A Red Bull fez trabalho semelhante, com Sergio Pérez andando mais com os macios e Max Verstappen com os duros. Os dois ficaram a pouco mais de 0s1 do tempo do ferrarista #55. Logo atrás, surgiu Lewis Hamilon, também trabalhando em ritmo de corrida com a Mercedes. A diferença foi de apenas 0s142.


No treino complementar no México, George Russell apareceu na frente, seguindo por Yuki Tsunoda e Esteban Ocon. Os três foram autorizados a andar com pneus macios do fim de semana porque não participaram na sessão inicial, devido aos testes de novatos. E o melhor da tabela durante os experimentos realizados pela Pirelli foi Hamilton. Desta vez, os pilotos tiveram à disposição os dois novos compostos macios da gama da fornecedora - que busca informações sobre temperatura, aderência e performance para 2023.


Portanto, somente o sábado deve revelar uma imagem mais próxima da realidade sobre a ordem de forças para a etapa mexicana. Decisivamente, os atuais campeões seguem na posição de favoritos, não só pelo histórico na Cidade do México, mas muito pelo que vêm apresentando ao longo da temporada. A questão é entender a diferença para as duas rivais, especialmente.


Mas se as ações na pista terminaram restritas devido aos testes de pneus, uma vez que não havia informação sobre carga de combustível, configuração e compostos, o paddock da Fórmula 1 continuou ainda muito efervescente. Primeiro, pela decisão da Federação Internacional de Automobilismo com relação à sanção imposta a Fernando Alonso após o fim do GP dos EUA.


Em Austin, os comissários acataram um recurso feito pela Haas quanto a uma peça que se desprendia do carro do espanhol depois do acidente com Lance Stroll. A Alpine tomou 30s de punição, o que fez o bicampeão perder o sétimo lugar.


Acontece que a equipe francesa decidiu apelar da medida, argumentando que a escuderia americana protestou fora do tempo e que Alonso não foi avisado sobre o problema. Muito bem. Inicialmente, a entidade que rege o esporte rejeitou o apelo, mas precisou voltar atrás diante de novas evidências apresentadas pela Alpine, em uma rara decisão que devolveu os pontos conquistados por Fernando.


Ainda que não aconteça com frequência, o comportamento da FIA gerou uma repercussão negativa, porque, uma vez mais, a expôs. Novamente, a entidade se viu no centro das atenções por abrir precedentes perigosos. Antes da revisão feita pelos comissários, Alonso alfinetou a Federação e cobrou coerência - com razão. O resultado acabou sendo uma vitória para os franceses, mas a Haas teve mais a falar sobre o assunto - e com a mesma razão, diga-se. "Isso mostra, de novo, que não há consistência", disse Guenther Steiner à Sky Sports F1 na pista do México.


"Nosso ponto principal era que eles precisavam ser consistentes, o que não aconteceu, então espero que descubram logo, porque fomos punidos três vezes com a asa dianteira, então se um carro é ilegal, há apenas um pouco de caos acontecendo. É frustrante se o diretor de corrida não conhece as regras!", bradou o dirigente em um momento que a chefia de prova da F1 passa também por uma nova transição, em meio às críticas sobre os acontecimentos do GP do Japão.


Mas ainda não era tudo na Cidade do México. Horas depois, a FIA publicou as informações sobre as violações cometidas pela Red Bull com relação ao teto orçamentário. A entidade detalhou a revisão dos dados, publicou os valores e a sanção aplicada em consequência do acordo feito com a equipe austríaca. A agora pentacampeã ultrapassou o limite em pouco mais de R$ 11 milhões. E foi multada em US$ 7 milhões (ou em torno de R$ 37 milhões), além de um limite com relação ao desenvolvimento do carro de 2023.


Os termos do acordo e a transparência quanto aos valores foram considerados pontos fortes do episódio. A sanção com relação ao tempo de testes aerodinâmicos é muito sensata, de fato, se pensar que a Red Bull terá menos margem para trabalho em cima de novas peças que Ferrari e, principalmente, a Mercedes. É um elemento de desvantagem, de fato. Já a multa em si ficou parecendo apenas um detalhe.


De toda a forma, o imbróglio todo envolvendo o limite de gastos deixou lacunas a serem preenchidas e dúvidas sobre como as equipes vão se comportar a partir de agora. Talvez quem tenha tido a visão mais clara sobre esse caso tenha sido Zak Brown, o CEO da McLaren. "Apreciamos que a investigação do teto de gastos seja um processo complexo conduzido pela FIA de maneira completa e transparente", declarou Brown no México. "Estou satisfeito que a verdade seja de conhecimento, e o resultado é o que esperávamos — houve uma violação ao limite de custos por uma equipe, com outras nove operando de acordo com as regras. Portanto, é justo que uma ação punitiva seja tomada", acrescentou.


Na visão do dirigente, uma punição mais pesada vai fazer as equipes terem uma compreensão melhor do regulamento. "Para que a FIA seja mais eficaz e suas punições sirvam de lição para as demais quando as regras forem quebradas dessa maneira, as sanções terão de ser muito mais fortes no futuro."


"Esperamos que, com as lições aprendidas neste processo, todas as equipes tenham uma compreensão clara das regras para evitar futuras violações. Embora estejamos satisfeitos em vê-los agir, esperamos que a FIA tome medidas mais fortes no futuro contra quem violar as regras deliberadamente", finalizou Brown.


O GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP da Cidade do México de Fórmula 1. No sábado, o TL3 abre o dia às 14h (de Brasília, GMT-3). Depois disso, a classificação está marcada para 17h.

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