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Paraisópolis controla coronavírus melhor do que a média municipal de SP


Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, com 75.000 habitantes.

Levantamento do Instituto Pólis mostra que, em territórios precários na cidade de São Paulo com organização comunitária estruturada, o controle da covid-19 está sendo mais efetivo em comparação com a média municipal. Esse é o caso de Paraisópolis, uma das maiores favelas brasileiras, que conta com mais de 70 mil habitantes. Segundo o instituto, em 18 de maio de 2020, a taxa de mortalidade na favela por covid-19 era de 21,7 pessoas por 100 mil habitantes. O índice está abaixo da média municipal (56,2) e de bairros como o Pari (127), o Brás (105,9), Brasilândia (78), e Sapopemba (72).


O percentual de idosos, considerados um dos grupos de risco da doença, é menor em Paraisópolis se comparado com o do município. "A associação de moradores de Paraisópolis desenvolveu estratégias para suprir a falta de políticas públicas para a comunidade. Primeiramente, foi criado o sistema de presidentes de rua, em que voluntários ficam responsáveis por monitorar famílias para possíveis sintomas do covid-19. Foram cerca de 420 presidentes - cuidando de cerca de 50 casas cada", informou o instituto no estudo.


Além do monitoramento, os presidentes foram responsáveis por desenvolver atividades de conscientização da população sobre o vírus e contra às fake news sobre a doença. Eles também arrecadaram e distribuíram cestas básicas e foram capacitados para dar encaminhamento correto aos que apresentaram sintomas.


Projetos e resultados



Amanda Gonçalves, desenvolveu o Guia de Orientação e Avaliação do Paciente

"O cenário em Paraisópolis deixa claro que iniciativas de atenção básica à saúde e ações voltadas para garantir a segurança alimentar e outras despesas essenciais, com ampla testagem e busca ativa de novos casos e controle dos familiares são eficazes no combate à pandemia em centros urbanos. Assim, teríamos em Paraisópolis um bom exemplo para uma política pública de contenção do vírus que poderia ser replicada, como uma política de estado, em outros territórios vulneráveis", revela Amanda Gonçalves Freitas, Especialista em Enfermagem Clínica e Cirúrgica.


Ela conta: "Essa estrutura que criamos em Paraisópolis está sendo replicada, em algum nível, em 361 comunidades no Brasil. Além de todas as questões estruturais, temos, também, um programa chamado 'Adote uma diarista'. Tivemos 150 diaristas adotadas —elas passaram a receber R$ 300, além de um kit de higiene e uma cesta básica por mês durante três meses. Faltam, ainda 802 delas a serem adotadas".


Além dessas ações, Amanda desenvolveu o Guia de Orientação e Avaliação do Paciente, a ser seguido pela equipe de enfermagem, em três etapas: ambulatorial e durante internação com a orientação completa comportamental aos pacientes, para que tanto enfermeiros quanto técnicos de enfermagem se mantivessem atentos aos sinais e sintomas de gravidade.


“Todos os protocolos foram cuidadosamente seguidos. Criamos também o Guia de orientações de isolamento e procedimentos respiratórios durante o tratamento do paciente em ambiente de isolamento familiar, visando orientar todos sobre os modos de isolamento”, completa Amanda.


Todas essas ações, possibilitaram uma atuação de forma rápida no manejo clínico inicial dos pacientes com síndrome respiratória grave, que a doença exigia; no controle ativo da infecção em ambiente hospitalar; e maior suporte respiratório e na terapia farmacológico na Covid-19, sendo uma referência para o país no combate à pandemia.

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