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O que o Brasil pode aprender com a Copa do Mundo feminina 2023


A seleção brasileira feminina fez uma Copa do Mundo decepcionante. Eliminada ainda na fase de grupos com apenas 4 pontos conquistados (uma vitória, um empate e uma derrota), a seleção teve seu pior desempenho em Mundiais desde 1995 e ainda pode perder a técnica sueca Pia Sundhage nas próximas semanas. Entrevistas pós-eliminação para a Jamaica e postagens nas redes sociais de algumas jogadoras mostraram que o clima não era dos melhores internamente e há muito o que mudar para que a primeira estrela chegue. Considerando que o Brasil pode ser a sede da Copa em 2027, já que está na disputa pela vaga com outras candidaturas, elencamos cinco pontos em que a seleção e a CBF podem melhorar no próximo ciclo. Confira:



1. Investir nas jogadoras jovens

O que mais chamou atenção nessa Copa foi o poder de decisão de jogadoras jovens. Linda Caicedo (Colômbia – 18 anos), Salma Paralluelo (Espanha – 19 anos), Sophia Smith (EUA – 22 anos), Lauren James (Inglaterra – 21 anos) e Hinata Miyazawa (Japão – 23 anos) se destacaram por seus países e mostraram que podem corresponder em uma competição de alto nível. Pelo Brasil, Ary Borges (23 anos) fez um hat-trick logo no jogo da estreia e Lauren (20 anos) foi muito segura na zaga. A média de idade da seleção brasileira nesta Copa foi de 27,4 anos, superando a média superior geral do torneio (26,3 anos) e sendo a quinta equipe mais velha.


O Brasil passa por uma reformulação de elenco e em 2027 não deve contar com veteranas que estiveram em campo neste ano como Marta (37 anos) e Tamires (35 anos). Destaque no Campeonato Brasileiro feminino e uma das artilheiras (10 gols em 15 jogos), a atacante da Ferroviária Aline Gomes, de 18 anos, foi convocada como suplente por Pia, mas não pôde ser utilizada. A expectativa é de que a renovação do elenco continue e nas próximas listas apareçam mais atletas novatas.


2. Maior atenção aos adversários



Outro fator relevante deste Mundial foi a evolução das seleções. Equipes tradicionais como Estados Unidos, Noruega, Canadá e a Alemanha foram superadas por seleções com menor poderio como Coreia do Sul, Portugal e Nigéria. Projetos como o de Marrocos se destacaram, mesmo tendo parado nas oitavas de final. A federação marroquina tem investido fortemente no futebol e até chegou à semifinal no masculino. Finalista pela primeira vez, a Espanha também montou uma estrutura diferenciada para o futebol feminino e é a atual campeã dos Mundiais sub-17 e sub-20. A própria Jamaica, que superou o Brasil, passa por problemas com sua federação, mas se organizou melhor da última edição para cá indo de uma das piores defesas em 2019 para levar apenas um gol em quatro jogos. No geral, todas as equipes evoluíram e é necessário prestar atenção aos adversários.

3. Melhorar a questão psicológica

O jogo contra a França, na segunda rodada da fase de grupos, foi decisivo para o futuro da seleção no torneio. O time fez o seu pior jogo, principalmente no primeiro tempo, errando muitos passes e transparecendo nervosismo. As francesas foram as responsáveis pela eliminação do Brasil em 2019 e a importância do confronto parece ter pesado para algumas atletas. Na delegação que foi à Austrália, uma psicóloga esteve presente. Outro fator que pode ter interferido na fragilidade emocional é o medo das atletas mais experientes de perder o que foi conquistado na modalidade. A lateral Tamires citou isso em uma entrevista pós-jogo. Depois da eliminação, o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, garantiu que manterá o investimento no futebol feminino.



4. Estruturação de projeto para o futebol feminino na CBF

A seleção brasileira feminina teve uma preparação inédita para essa Copa do Mundo. Passou 20 dias se adaptando na Austrália, teve kit de viagem e voo fretado pela primeira vez. Além disso, foi a maior delegação da história e com maior participação de mulheres (17 dos 31 membros). Mesmo assim, a CBF deixa muito a desejar na organização da modalidade no país. As transmissões de campeonatos ainda são problemáticas, muitos clubes não têm assistência e não há um departamento forte e definido para a modalidade. Atualmente, Aline Pelegrino e Ana Lorena Marche são as profissionais com mais conhecimento do futebol feminino na entidade.


5. Marketing e aproximação com a torcida

A Austrália impressionou o mundo ao mostrar apoio à sua equipe feminina. O futebol é só o quarto esporte mais popular no país, atrás do futebol australiano, Cricket e Rugby. Mas a aproximação com a torcida e o marketing que a federação criou em torno das Matildas aumentou o apelo para o público. É comum o treino aberto para a torcida e, ao fim, as jogadoras tirarem fotos e darem autógrafos para crianças. A seleção também realiza amistosos em casa com preços populares. No Brasil, o cenário é bem diferente. Os treinamentos da seleção acontecem na Granja Comary, que barra a entrada de torcedores. Em geral, os amistosos da equipe são fora do país e, quando realizados por aqui, o horário é ruim ou o preço dos ingressos muito elevados. É inegável que o interesse pela modalidade cresceu no país e, caso a CBF se empenhe em fazer um marketing inteligente, uma possível Copa 2027 no Brasil tem tudo para ser um sucesso.



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