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Inelegibilidade de Bolsonaro antecipa corrida da direita rumo a 2026




A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível por oito anos abre caminho para uma disputa entre nomes da direita e antecipa, em três anos, a corrida às eleições de 2026. Por 5 votos a 2, a Corte acolheu nesta sexta-feira, 30, a ação movida pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) e decidiu pela condenação do ex-chefe do Executivo por uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político, em razão da reunião com embaixadores, ocorrida em julho de 2022. Ainda que caiba recurso no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF), o findado julgamento abre espaço para a ascensão de um novo líder da direita e acelera uma disputa pelo voto bolsonarista e do eleitorado de centro que, eventualmente, rejeite a continuidade do governo Lula. Neste cenário, três nomes despontam como eventuais herdeiros dos votos do ex-presidente. São eles: o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG); e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).


Como o site da Jovem Pan mostrou, de acordo com pesquisa do Instituto Genial/Quaest, 33% dos eleitores consideram Tarcísio de Freitas o favorito para substituir Bolsonaro nas próximas eleições gerais para presidente. A ex-primeira-dama aparece como segunda opção, com 24% de menções para ser “herdeira do bolsonarismo”, enquanto o governador mineiro, soma 11%. Mesmo que longe dos olhares atentos dos eleitores, outros nomes também não estão descartados. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é aposta para agradar o reduto evangélico e conservador, enquanto a senadora Tereza Cristiana, ex-ministra da Agricultura, ganha destaque pela proximidade com o agronegócio. O governador do Paraná, Ratinho Junior, é mencionado como provável sucessor do bolsonarismo na Presidência da República por 6,8% dos brasileiros, segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas. A diferença para os outros governadores cotados, no entanto, é que Ratinho já admite que pode ser candidato ao Planalto em 2026, se “tiver condições” e “for a pessoa escolhida”. Por sua vez, outro governante que não esconde o desejo de ocupar a presidência é Eduardo Leite (PSDB-RS), que consolida a principal aposta da chamada “terceira via” para a política brasileira.


A antecipação da disputa para saber quem será o substituto de Bolsonaro tem um motivo claro: os 58 milhões de votos conquistados pelo político nas eleições de 2022. No entanto, entre todos os possíveis nomes cogitados – de Tarcísio a Michelle – é possível que nenhuma deles tenha a garantia de transferência de votos de Bolsonaro, aponta o cientista político Paulo Niccoli Ramires, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Ele explica que por mais próximos que os “herdeiros de bolsonarismo” sejam do ex-presidente, pode ser difícil encontrar alguém tão carismático quanto Bolsonaro, o que pode representar um obstáculo e tanto para estas figuras de direita. “Talvez não haja alguém tão carismático como Bolsonaro a ponto de atrair tantos votos, mas ainda existem algumas figuras com preferência do eleitorado. É o caso do Tarcísio, a Damares Alves também. O Zema é o nome mais forte, já que expressa ideias mais liberais pelo Partido Novo. No entanto, ele está mais focado em Minas Gerais por enquanto. O Eduardo Leite é difícil ocupar esse espaço porque carrega algumas bandeiras mais progressistas. São os nomes mais fortes, mas sem talvez o mesmo carisma e a capacidade de atrair votos como o próprio Bolsonaro”, conclui.


Há, por outro lado, outro elemento considerado pelos eventuais postulantes a sucessores de Jair Bolsonaro: os rumos do governo Lula. Historicamente, o Brasil é um país que reelege seus presidentes. Bolsonaro, aliás, foi o primeiro candidato a reeleição derrotado nas urnas – até mesmo a então presidente Dilma Rousseff, que enfrentou grandes manifestações no início da década de 2010, foi eleita para mais um mandato. No mundo político, de forma pública ou nos bastidores, há uma certeza: se a economia deslanchar e Lula tiver o respaldo da população, índice que pode ser constatado, por exemplo, por pesquisas de intenção de voto, a estratégia da oposição será uma. Por outro lado, um governo claudicante, com intervenção na economia e discurso beligerante, fatalmente, fortalecerá uma candidatura de direita, que jogará todas as fichas no espólio eleitoral do agora inelegível ex-presidente.


Quem são os possíveis herdeiros políticos de Bolsonaro?

Tarcísio de Freitas: Eleito com 55,2% de apoio no Estado de São Paulo, o ex-ministro de Bolsonaro desponta como favorito para substituir “o capitão” em 2026. O tema, inclusive, já é debatido entre interlocutores e aliados dos políticos. “Se houver um chamamento da sociedade brasileira, com pesquisas, a gente poderá discutir”, antecipou Marcos Pereira, presidente do Republicanos, partido do governador. Em evento recente da Credit Suisse, Tarcísio chegou a ser questionado sobre o que “vai vir em 2026”, mas se esquivou e disse não pensar no futuro. O núcleo duro de seu governo, no entanto, defendem que ele busque a reeleição no maior Estado do país.

Romeu Zema: Reeleito no primeiro turno, com apoio de mais de 56% do eleitorado mineiro, o governador de Minas Gerais é considerado o caso mais bem sucedido do Partido Novo e não esconde o interesse de disputar a Presidência da República. Em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan News, Romeu Zema afirmou que “não tem plano pessoal” de ser presidente, mas admitiu que, se sua candidatura for “o certo”, ele se lançará. “Queremos que a direita avance. Para mim, tendo um bom nome… quero ele. Não tenho pretensão. Quero que o Brasil esteja certo e encaminhado para direita”, justificou.

Ratinho Junior: Outro governante que apoiou Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 e é cogitado para a antecipada corrida dos governadores à Presidência é Ratinho Junior, chefe do Executivo do Paraná. Incluído na lista de reeleitos em primeiro turno no último ano, ele já admite que pode ser candidato ao Planalto em 2026, se “tiver condições” e “for a pessoa escolhida”. Para ele, por ser governador de um “Estado protagonista” é natural que seu nome possa “estar no tabuleiro”.

Eduardo Leite: Considerado o candidato mais ao centro, o governador do Rio Grande do Sul é a principal aposta da chamada “terceira via” para a política. Nem tão à esquerda de Lula nem tão à direita de Bolsonaro: “O caminho é para frente”, dizem os entusiastas da candidatura alternativa. O tucano também não esconde o interesse pelo cargo de presidente. Para 2026, no entanto, ele afirma que não quer saber de “divisão” e mira união com Zema e Tarcísio para 2026. “[A eleição de] 2026 não é um projeto pessoal, estarei do lado do caminho que apontar para fora do PT e para fora do Bolsonaro”, afirmou.

Michelle Bolsonaro: Esposa de Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama ocupa, atualmente, o cargo de presidente do PL Mulher. Ainda que seja considerada por 24% dos eleitores para ser a sucessora do bolsonarismo, Michelle tem seu nome, inicialmente, mais cotado para uma vaga no Senado Federal, uma vez que a não possui “vivência”, como disse Bolsonaro, para encabeçar a eleição presidencial. Nesta sexta-feira, 30, ao comentar nas redes sociais a decisão do TSE que tornou o ex-presidente inelegível, Michelle deixou aberta a possibilidade de ser a candidata bolsonarista no próximo pleito: “Estou às suas ordens, meu capitão”.

Tereza Cristina: A ex-ministra da Agricultura recebe o apoio da bancada do agronegócio para ser o principalmente nome da direita nas eleições de 2026. Atual senadora pelo Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina é filiada ao Partido Progressistas, um dos principais braços do Centrão no Congresso Nacional, o que poderia angariar governabilidade em um futuro mandato.

Damares Alves: Atual senadora pelo Distrito Federal, Damares ocupou o cargo de Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante a gestão Bolsonaro. Ela recebe o apoio de seu partido, o Republicanos, para lançar a candidatura ao governo do Distrito Federal em 2026. No entanto, a própria senadora já se colocou como opção da direita para a Presidência da República: “Não se esqueçam de mim”, afirmou ao ser questionada sobre sucessores de Bolsonaro.

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